
A nutrição azotada é um dos fatores que mais condiciona a produtividade das culturas hortofrutícolas. No entanto, representa também um dos maiores desafios para a sustentabilidade agrícola. Uma parte importante do azoto fornecido através da fertilização pode perder-se por lixiviação ou volatilização antes de ser aproveitada pelas plantas.
Num contexto em que os agricultores têm de produzir mais com menos recursos, reduzir o impacto ambiental e responder às exigências de mercados cada vez mais comprometidos com a sustentabilidade, surgem novas soluções assentes em biotecnologia. Entre elas destacam-se os bioinibidores, uma inovação que abre caminho a uma gestão mais eficiente e natural do azoto.
O que é um bioinibidor?
Tradicionalmente, a proteção do azoto no solo baseia-se na utilização de inibidores químicos da nitrificação ou da urease. Estas moléculas retardam a transformação do azoto nitrificável (ureia e amónio) em nitrato, reduzindo temporariamente o risco de perdas.
Os bioinibidores representam uma abordagem diferente. Em vez de atuarem através de mecanismos químicos, utilizam microrganismos benéficos capazes de intervir de forma natural no ciclo do azoto e aumentar a eficiência da sua utilização pelas plantas.
O bioinibidor NSAFE®, desenvolvido e patenteado pela Fertiberia, é o resultado de mais de seis anos de investigação em colaboração com universidades e centros de investigação europeus. Constitui o primeiro bioinibidor que previne a lixiviação do azoto no solo e a emissão de óxidos nitrosos de forma equivalente aos inibidores químicos da nitrificação.
A sua tecnologia baseia-se numa estirpe patenteada de Bacillus subtilis que incorpora genes associados à enzima nitrato redutase. Graças a esta capacidade biológica, o microrganismo é capaz de assimilar o nitrato do fertilizante, incorporá-lo temporariamente na sua biomassa e devolvê-lo progressivamente ao sistema solo-planta sob formas mais estáveis, garantindo uma melhoria da eficiência da fertilização.
Atualmente, o NSAFE® é comercializado na gama de fertilizantes granulados NERGETIC COMPLETE e está também a ser estudada a sua incorporação em fertilizantes para fertirrigação.

NSAFE® sobre grânulos de fertilizante

NSAFE® sobre grânulos de fertilizante. Observado ao microscópio electrónico (CTA)

NSAFE® sobre raíz secundaria. Observado ao microscópio electrónico (CTA)
Mais azoto disponível onde a planta necessita
O principal objetivo de qualquer estratégia de proteção do azoto é aumentar a eficiência da utilização do fertilizante.
Quando o azoto permanece mais tempo na zona radicular, as raízes têm mais oportunidades de o absorver. Isto permite melhorar o aproveitamento de cada unidade de fertilizante aplicada e reduzir as perdas que habitualmente ocorrem por lixiviação para camadas profundas do solo ou por emissões gasosas para a atmosfera.
Para os produtores de hortofrutícolas, onde a qualidade e a uniformidade da produção são fundamentais, esta melhoria na disponibilidade de azoto pode traduzir-se num crescimento mais equilibrado das plantas e num melhor aproveitamento dos recursos investidos na fertilização.
Além disso, a redução das perdas contribui para minimizar o risco de contaminação dos aquíferos por nitratos e da atmosfera por gases com efeito de estufa, um dos principais desafios ambientais associados à agricultura intensiva em muitas zonas produtoras de Espanha e Portugal.
NSAFE®: uma solução alinhada com a agricultura regenerativa
A agricultura regenerativa promove práticas que melhorem a saúde do solo, favoreçam a biodiversidade e aumentem a resiliência dos sistemas agrícolas.
Nesta perspetiva, uma das características mais interessantes do NSAFE® é o facto de funcionar aproveitando processos biológicos já presentes no solo.
Ao contrário de alguns mecanismos químicos convencionais, o NSAFE® atua mantendo o equilíbrio do microbioma edáfico e respeitando populações benéficas como Azospirillum, Azotobacter ou Rhizobium, microrganismos fundamentais para a fertilidade natural do solo.

Esta capacidade é especialmente relevante para explorações que apostam em estratégias de melhoria da vida microbiana, aumento do teor de matéria orgânica e redução dos impactos ambientais.
Por outras palavras, o objetivo não é apenas proteger o azoto, mas fazê-lo de uma forma compatível com a biologia do solo.
Resultados observados em culturas hortícolas e frutícolas
A tecnologia NSAFE® foi avaliada através de ensaios laboratoriais, estudos em vaso e mais de setenta ensaios de campo realizados em diferentes condições edafoclimáticas.
Os resultados obtidos mostram aumentos de produtividade particularmente interessantes em culturas hortícolas e fruteiras. Em diferentes ensaios observaram-se aumentos médios próximos de 10% nas culturas hortícolas e de 19% nas culturas lenhosas (23% em fruteiras), em comparação com fertilizações convencionais com a mesma dose de azoto.


Estes resultados demonstram que uma maior eficiência na gestão do azoto pode refletir-se diretamente tanto na produtividade como na rentabilidade das explorações agrícolas.
O futuro da fertilização passa pela biotecnologia e NSAFE®
A fertilização do futuro não se baseia apenas na aplicação de nutrientes, mas também na maximização da sua eficiência através de tecnologias que permitam produzir mais com menor impacto ambiental.
O bioinibidores NSAFE® representa uma mudança de paradigma neste âmbito. Graças à utilização de microrganismos benéficos, oferecem uma alternativa inovadora para melhorar a eficiência do azoto, reduzir perdas e contribuir para sistemas produtivos mais sustentáveis.
Para os produtores de frutas e hortícolas, especialmente aqueles ligados a estratégias SEM Resíduos, agricultura regenerativa ou produção sustentável, esta nova ferramenta biológica pode tornar-se uma aliada fundamental para enfrentar os desafios produtivos e ambientais dos próximos anos.
A combinação entre inovação biotecnológica, rentabilidade agronómica e respeito pela saúde do solo posiciona os bioinibidores e NSAFE® como uma das tendências com maior potencial na agricultura atual.

